O ADOLESCENTE EM BUSCA DE SUA AUTORIA DE PENSAMENTO
Trabalho apresentado para obtenção do título de Especialista em Lato-Sensu do curso de Psicopedagoga Clínica e Institucional do Programa de Pós-graduação da Universidade de Santo Amaro.
Muitos foram aqueles que direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste trabalho, incluindo familiares, amigos e doutores. Embora todos mereçam a minha gratidão, alguns devem ser expressamente mencionados.
Começo agradecendo a professora Mestre Marina Taricano, de quem recebi uma orientação experiente, esclarecida e amiga para obtenção do título de especialista em Psicopedagoga Clínica e Institucional na Universidade de Santo Amaro – UNISA, ao professor Luis Antônio pela sua dedicação, competência e paciência em me auxiliar na elaboração de meu projeto de monografia.
A toda equipe médica que me acompanhou e fizeram com que eu conseguisse resgatar a minha vontade de viver e acreditar que dias melhores viriam.
Sou muito grata aos meus pais Marilene e Guido que sempre acreditaram e estiveram ao meu lado nos momentos mais difíceis da minha caminhada, dando-me forças, inspiração e por terem confiado em minha luta, meu potencial e capacidades durante toda a minha trajetória. As minhas irmãs que sempre estiveram ao meu lado me apoiaram e demonstraram todo carinho e dedicação de uma família unida, e minhas sobrinhas e meu sobrinho que são minhas razões de viver e que deram um sentido especial para minha vida e a minha tia Norma Salim Lima que desde a minha infância também sempre esteve presente em minha vida.
Finalmente, e em especial, não posso deixar de citar mais uma vez, minha irmã Elaine, por sua compreensão e paciência durante minha trajetória de pós graduanda, pois muitas vezes recorri para solicitar ajuda, e ela nunca mediu esforços para me auxiliar, esteve sempre presente ao que se referem assuntos acadêmicos, e foi uma das pessoas que me incentivou na retomada de meus estudos e me ingressou na pós graduação. Atualmente, estamos juntas na batalha, temos muitas trocas de conhecimentos.
Família, amigos, doutores, obrigada por enfrentarem essa caminhada sempre acreditando em mim, em meu potencial
RESUMO
É através do conceito de sujeito autor que neste trabalho pretende-se mostrar como o adolescente é capaz de ir à busca de sua autoria de pensamento. Partindo de alguns conceitos e teóricos da Psicopedagogia, será abordado nesse trabalho, como o adolescente pode ser sujeito autor de sua história, pois, é capaz através de seu amadurecimento, experiências, troca de conhecimentos, história de vida e convívio com sua família, escola e sociedade edificarem-se de modo que o leve a uma autonomia e autoria. Nesta perspectiva, destaco a definição da adolescência, e a passagem de sua dependência para independência, onde o adolescente começa a fazer parte de um mundo adulto, e começam a surgir conflitos. Será demonstrado sobre como a aprendizagem é vista pela Psicopedagogia e de que forma possibilita ao sujeito uma organização do pensamento do adolescente, resgatando assim algumas questões afetivo-emocionais levando-o para uma autoria e autonomia. E através das contribuições piagetianas, é possibilitado o processo de como o sujeito assimila e acomoda o conhecimento. Transcorrendo pela modalidade de aprendizagem do sujeito na infância que está alicerçada nas bases de uma modalidade de aprendizagem familiar, contribuindo para que o adolescente interaja com o mundo que a cerca definindo assim, suas atitudes consciente de sua intenção e desejo e tendo condições de edificar seu pensamento, podendo caminhar rumo à autoria de pensamento: liberdade, autonomia e criatividade. E para finalizar um breve histórico sobre como surgiu a Psicopedagogia e sua importância na aprendizagem e na vida do sujeito.
Palavras chaves: Adolescente, Escola e Família, Autoria de pensamento.
This paper intends to demonstrate how the adolescent is able to reach thought authorship through the concept of author of thought. Based on some psychopedagogy concepts and theories, it shows how an adolescent can be the author of thought of his/her own history, as he or she can set up a way which leads to autonomy and authorship through natural growth, experiences and exchanged knowledge, life history and family coexistence, school and society. In this perspective, I call the attention to the definition of adolescence and its change from dependence to independence, where the adolescent starts do live an adult world and the beginning of its conflicts. It demonstrates the way psychopedagogy sees learning and how it makes possible for the citizen to have an organization of adolescent thoughts, taking into consideration some affective emotional questions, which leads him/her to a thought authorship and autonomy. Through some piagetian contributions, it enables the process of how the subject assimilate and accommodate knowledge. It passes through the way the citizen learns in his childhood, which is based on the family learning process, contributing to the interaction between the adolescent and the world around him/her. Thus defining his/her conscious attitude of his/her intentions and desires and having the condition do set up his/her thoughts, leading to a thought authorship: liberty, autonomy and creativity. To sum up there is a short history about how psychopedagogy appeared and its importance in citizen's learning and life.
Keywords: Adolescent, school and family, and thought authorship
INTRODUÇÃO
A vivência na docência e a reflexão sobre a prática pedagógica, e Psicopedagógica juntamente com a interação entre a família e a escola, formam a base do objeto deste trabalho, bem como investigar as relações entre a família, o adolescente e a escola, visando o desenvolvimento integral do ser humano.
Portanto, se faz necessário a busca da compreensão da interação escolar e familiar que possibilita promover e exercer uma ação educativa, colaborando com a família, para auxiliar o desenvolvimento das crianças favorecendo desta forma, que se tornem adolescentes seguros de si.
Essa transição da infância para a adolescência deveria expressar um momento maravilhoso ou até mesmo esplendoroso. Mas o que é possível perceber é que essa transição da infância para a adolescência nem sempre é harmoniosa e sim desastrosa.
A palavra adolescência provém do conceito brotar e fazer-se grande. De acordo com este conceito, questiona-se de como seria possível explicar o medo e a insegurança, a turbulência familiar e outros conflitos que surgem exclusivamente nesta etapa do desenvolvimento humano.
É possível perceber que durante esse processo não se pode falar de sofrimento apenas do filho adolescente. Os pais têm uma sensação de impotência; perdem o poder de decidir por eles, que escolhem o que acreditam ser melhor; colocam-se diante do fato de que o tempo passou, estão mais velhos e na perspectiva de que ficarão sós porque os filhos estão trilhando novos caminhos. Sentem-se substituídos pelos amigos e ou pelo namorado(a). Os conceitos dos pais são, freqüentemente, considerados pelos adolescentes ultrapassados e sua lógica, mostra-se não aplicável nos tempos modernos.
Desta forma, é pertinente destacar que determinados estímulos nos primeiros anos do desenvolvimento infantil, são decisivos bem como influência cultural, social, econômica e psicológica e por esta razão é possível pensar que a falta desses estímulos pode ser a causa de determinadas alterações apresentadas na adolescência.
Ao nascer, a criança inicia sua interação com o ambiente familiar e com seu entorno, o que terá continuidade ao longo de sua vida (ZAGURY, 2004)
O desenvolvimento das interações é mediado sempre por um terceiro na relação (pessoa), em decorrência da imaturidade da criança que se mantém dependente, por um longo período; pelo estímulo, pela referência e pelo vínculo afetivo, onde todos os que participam sofrem mudanças e tem oportunidades de se desenvolverem. Os estímulos globais (táteis, visuais, psicomotor) adquiridos, não são desenvolvidos separadamente, é um trabalho integrado que necessita da interação adulto/criança, criança/criança e criança/objeto, e com o seu meio ambiente, explorando, experimentando e ampliando os sentidos, as sensações, os sentimentos e seu agir. Os estímulos são capazes de provocar infinitas ações no cérebro e no desenvolvimento infantil.
A atitude de carinho, aceitação, diálogo e coerência nos princípios disciplinares com proteção e progressiva independência, contribui para que o adolescente sinta-se amado, cuidado e protegido pela família. Com isso, seu desenvolvimento não ofrerá entraves emocionais e sua identidade se estruturará, a partir de uma visão otimista e realista de si mesmo, fazendo assim com que seja um sujeito autor, possibilitando sua busca pela autoria de pensamento.
Este trabalho tem o objetivo de reunir algumas informações sobre o adolescente, e como ele é capaz de ter autoria de pensamento, construir sua própria história. Para isso, o enfoque será o adolescente dentro de seu contexto Escola-Família-Sociedade
II- FAMÍLIA – ESCOLA – ADOLESCENTE
A escola é uma importante agência de socialização, é responsável pela educação escolar. Tem um papel conservador, pois também é responsável pela reprodução de normas e valores sociais, e, conseqüentemente, mantenedora do contexto social. A escola ao lado da família é responsável pela transmissão das normas e valores de caráter mais geral, necessários à entrada do indivíduo na sociedade (BOCK, 1995).
Para a autora a família é a base da formação de um indivíduo, responsável pelo modelo que a criança terá em termos de conduta, no desempenho de seus papéis sociais e das normas e valores que controlam tais papéis. Ambiente em que ocorrem os primeiros contatos e relacionamentos da criança, modelo, referencial e (não menos importante) responsável pela formação de valores, entre outras coisas. Família representa um grupo social primário que influência e é influenciado por outras pessoas e instituições. É um grupo de pessoas, ou um número de grupos domésticos ligados por descendência a partir de um ancestral comum, matrimonio ou adoção.
Ainda coloca que não é possível comentar sobre o adolescente sem antes falar dele enquanto criança inserida em uma família e escola. A criança já nasce dentro de um grupo, que é o grupo familiar, e a partir desse instante, ela irá aumentando suas relações com o mundo, e sempre se relacionando em grupos. A família promove a ação recíproca entre o sujeito e os grupos, a escola e os meios de comunicação, são responsáveis pela educação primária, ou seja, modelos que a criança terá em termos de comportamento, no desempenho em seus papéis sociais (os papéis femininos e masculinos são marcadamente diferentes), normas e valores.
É a partir da primeira educação (familiar) e dos laços e vínculos que irão se formando nessa relação que o self vai se organizando, e vai havendo um desenvolvimento, crescimento, amadurecimento e até mesmo descobertas que ajudarão com que essa criança se transforme em um adolescente que seja capaz de lidar da melhor maneira possível com suas frustrações, conflitos que costumam aparecer nessa fase de mudanças entre fase infância para adolescência. É a partir do self que emana todo o potencial energético de que a psique dispõe. É o ordenador dos processos psíquicos. Integra e equilibra todos os aspectos do inconsciente, devendo proporcionar, em situações normais, unidade e estabilidade à personalidade humana. A família, no inicio constituída pela figura materna e figura paterna que vai ter o primeiro contato com a criança, onde terá todos os cuidados, será acolhida, acariciada e atendida em suas necessidades. A mãe suficientemente boa terá uma preocupação primária, onde o “mundo” irá girar em torno desse bebê, onde essa mãe viverá para esse bebê, acolhendo, confortando, alimentando, cuidando, e no espaço transicional, que é o espaço entre a mãe e o bebê (terceira área muito valiosa), área da ilusão, da criatividade, do brincar que aos poucos vai se construindo o self desse bebê formando o ser criativo, se percebendo como uma criança com suas potencialidades e habilidades, e como um “ser” no mundo (WINNICOTT, 1975).
De acordo com a autora é a família que fornece as paredes da vida psíquica para o sujeito. A criança irá construir seu ego (a base consciente de seu psiquismo) durante o período de desenvolvimento, que vai do nascimento até a puberdade. É o que se transmite nos gestos, ações, postura que possibilita à criança um repertório para fazer parte de uma realidade compartilhada, possibilitando assim com que se edifique sua relação com o campo cultural. É a partir dessa relação mãe/bebê que o sujeito vai se edificando, e que tenta obter visibilidade através do olhar de um outro.
Até aqui, pôde-se observar que a escola, a mãe e a família são a base para formação do self e para a formação global do sujeito. Se essas bases não forem bem edificadas, encaminhadas, pode acontecer que durante o desenvolvimento e crescimento desse sujeito, até alcançar sua adolescência, seja acompanhada de inseguranças, frustração, medos, bloqueios, incertezas, que poderá influenciar em toda sua trajetória, caminhada e em suas escolhas.
II- APRENDIZAGEM E SUAS DIMENSÕES
“Ação de aprender qualquer ofício, arte ou ciência. O tempo gasto para aprender uma arte ou ofício Nome geral dado a mudanças permanentes de comportamento, como resultado de treino ou experiência anterior” (MICHAELIS, 2002.p.60)
A Psicopedagogia vê o sujeito como um ser “em relação”, isto é, que se relaciona com o ambiente. A aprendizagem é então compreendida a partir de uma reciprocidade do sujeito com o mundo, onde um intervém no outro, portanto dialética. Nessa abordagem do processo ensino-aprendizagem, a Psicopedagogia toma como base a visão epistemológica interacionista, em que se determina a relação de troca entre sujeito e objeto de conhecimento. Utiliza-se de conhecimentos da psicologia e da pedagogia para melhor compreensão das inter-relações. A Psicopedagogia é uma área interdisciplinar. (SANTOS, 2006)
A compreensão dessa inter-relação se faz a partir de alguns pontos de entendimentos sobre aprendizagem, tais como autoria de pensamento, e que envolvem motivação, interesse, e desafios propostos ao aprendiz. O olhar holístico (global) da Psicopedagogia, ao tentar compreender o ser como um todo relacionado elabora questões afetivas, cognitivas e sociais, implícitas no aprender (SANTOS, 2006)
Jean Piaget, biólogo suíço foi um importante pensador da abordagem interacionista, que alicerça a teoria e prática psicopedagógica. Sua compreensão de aprendizagem construtivista, dentro da epistemologia genética cooperou para vários estudos nas áreas da psicologia, pedagogia e psicopedagogia. (SANTOS apud PIAGET, 2006)
Também participando na abordagem interacionista, o psicólogo russo Vygotsky a percebe de maneira mais ampla. Com sua visão sócio- histórica, vem nos revelar que a aprendizagem acontece entre o indivíduo e os instrumentos físicos e simbólicos de que ordena nas relações sociais. Ele além de examinar o processo do sujeito que aprende, examina também o saber acumulado em sociedade, transmitido pelos mais velhos e por outras crianças, que experienciam e vivenciam, de forma diferente, a aprendizagem. (SANTOS apud VYGOTSKY, 2006)
Um ponto fundamental para que aconteça o aprendizado é o fato que ele estimula uma série processos interno de desenvolvimento, que são capazes de atuar somente quando a criança interatua com adultos e quando em colaboração com seus companheiros (BOCK, 1995).
No Brasil, o educador Paulo Freire que, participando da relação dialógica, entendeu o sujeito que aprende como recriador do mundo e, a partir daí, deu origem um método de educação “libertadora”. Assim a educação começa se voltar para as questões culturais de seu povo, observando que o homem só pode ser reconhecido como indivíduo, se fizer parte do social (SANTOS apud FREIRE, 2006).
Essa abordagem depara-se com uma visão psicopedagógica no sentido de que a escola é vista como mediadora dos saberes dos alunos porque faz parte da realidade pessoal, social e cultural desses. Dessa maneira, a escola torna viável a construção da identidade como sujeito que constrói sua própria história. Levar em conta a realidade do aprendiz é levar em conta a sua experiência. (SANTOS apud FREIRE, 2006)
A abordagem interacionista leva a entender que a aprendizagem depende da relação dinâmica e processual entre o aprendiz e o meio; que é inevitável a presença ativa do sujeito que aprende; que mantêm relação com o objeto a ser apreendido. A aprendizagem deve levar ao conhecimento interpretativo do mundo. (SANTOS, 2006)
A aprendizagem significativa instaura-se quando um novo conteúdo relaciona com conceitos importantes, claros, disponíveis na estrutura cognitiva, sendo assim assimilado pelo sujeito, não diz respeito apenas ao conhecimento, mas ao pensamento, isto é, a capacidade de pensar, ponderar, meditar e acrescentar sentido (BOCK, 1995).
Para isso, o aprendiz precisa ser autor de seu pensamento. “É um pensar que transforma que constrói algo novo”. Para que o sujeito aprenda, é preciso que haja uma interação com o objeto de aprendizagem, de maneira que tenha poder e uso sobre ele. Crianças e adolescentes vem demonstrando dificuldades no aprender justamente porque não se interagem e se envolvem com o objeto de aprendizagem, porque lhes foi ensinado que aprender é ser espectador passivo, é repetir incansavelmente exercícios, é cumprir tarefas (SANTOS, 2006).
É possível ter a percepção de mundo através dos sentidos, do próprio corpo. É no contato desse corpo com o mundo que é possível aprender, e que é possível perceber o mundo a sua volta, ressignificando alguns conteúdos, e assim vai transformando-o, dando-lhes novos sentidos e significados (SANTOS 2006).
Segundo Sara Paín, o processo de aprendizagem integra componentes de estruturas orgânicas e corporais. É para esses componentes, que deve-se voltar o olhar e guiar a pesquisa psicopedagógica no processo diagnóstico e na intervenção (SANTOS 1989 apud PAIN). “A aprendizagem é um processo que se significa familiarmente, ainda que se aproprie individualmente, intervindo o organismo, o corpo, inteligência e o desejo do aprendente e também do ensinante, mas o desejo é necessariamente o desejo do outro.” (FERNÁNDEZ, 1991 p. 116)
A aprendizagem depara-se a um objetivo e uma motivação: para aprender; é preciso um vínculo e para que este vínculo se instale ela passa, também, pelo afeto. Verifica-se que a aprendizagem é de grande importância na vida do sujeito, pois é a partir da inter-relação aprendizagem-sujeito, que se formará um sujeito capaz de construir sua própria história, sendo assim um sujeito autor. Em todas as fases da vida, o sujeito, seja criança, adolescente, idoso, precisa estar sempre aprendendo (SPERLING e MARTIN, 2003)
“Os bebês precisam aprender a falar, a se vestir e a se alimentar. As crianças devem aprender hábitos sociais aceitáveis pela comunidade. Os adultos precisam aprender como fazer seu trabalho e como cumprir as responsabilidades da vida familiar. A vida diária é uma sucessão de problemas maiores ou menores que devem ser resolvidos através da aprendizagem”. (SPERLING, 2003 p.48)
Aprender é apropriar-se. E essa apropriação se dá a partir de uma elaboração objetivante e subjetivante. A elaboração objetivante torna possível uma apropriação a partir de uma organização, classificação de um objeto, por exemplo, mesa. A elaboração subjetivante tratará de identificar, de apropriar-se do objeto a partir de uma de uma determinada experiência única e intransmissível que tenha tido o sujeito com o objeto (mesa, por exemplo) (FERNÁNDEZ, 1991).
“Aprendemos o que é uma cadeira, não só a partir do conceito de cadeira, ainda que o necessitemos, mas também a partir da história de trocas com cadeiras que cada um de nós teve, das imagens, lembranças e das fantasias sobre esse objeto.” (FERNÁNDEZ, 1991 p. 117)
“A apropriação do conhecimento implica um domínio do objeto, sua corporização prática implica ações ou imagens que necessariamente resultam em prazer corporal. Somente ao integrar-se ao saber o conhecimento é aprendido e pode ser utilizado”. (ANDRADE, 2002 p.42)
Na Psicopedagogia, o ponto fundamental é a aprendizagem e a relação do Sujeito nesse processo, ou seja, o reconhecimento de um Sujeito/ aprendente integrado num meio sociocultural, que se utiliza tanto da objetividade (inteligência), quanto da subjetividade (desejo) para aprender. (RUBINSTEIN, 1999)
E para compreender como ocorre a aprendizagem e a relação nesse processo, é de grande importância entender como são as relações professor-aluno; educador-educando e ensinante-aprendente, porém vale lembrar que são tratadas como palavras sinônimas, e diferencia-se apenas como uma técnica de ensinar (modo didático). Essas relações acontecem a partir de uma aprendizagem e edificam-se em lugares diferentes e tratam de níveis perceptíveis do aprender (ANDRADE, 2002)
Às palavras ensinante, aprendente, fazem menção a um modo subjetivo de edificar-se, e ás palavras aluno e professor fazem menção a lugares objetivos em uma regra pedagógica. Ensinante-aprendente inicia-se numa relação transferencial, onde transmite o conhecimento e ocorre uma troca de aprendizado de um indivíduo para outro, que se determina a partir de lugares subjetivos e de uma identificação com o outro. (GRANATO, 2003)
O sujeito, para ser aprendente, deve tornar-se livre da influência da subjetividade materna, mostrando que é possível a edificação de seu próprio pensamento podendo tornar-se autor. Cabe ao sujeito ensinante reconhecer no aprendente o desejo de conhecer. A função do ensinante é mostrar ao aprendente a verdade do que deseja, a função do aprendente deve ser a de renunciar o sentimento de onipotência e assumir a possibilidade de pensar sobre si e sobre o mundo, gerando conhecimento. (GRANATO, 2003)
“Ensinante/aprendente são funções exercidas a partir dessa posição subjetiva instaurada pela castração do pensamento, que determina uma modalidade de ensino/aprendizagem fundada na e pela linguagem” (ANDRADE, 2002 p.7)
Na relação professor/aluno implica uma aprendizagem em que se estabelece a relação de conteúdos formais em uma determinada disciplina. Já a relação educador/educando estaria moldada num outro nível de aprendizagem, referindo-se a questões, onde partiriam dos ideais de uma cultura e moral de um povo. Um professor não se passa a ser educador ao modificar seus planos de metodologia, pois não será isso que o define. Quando se fala em educador-educando e professor-aluno, aponta-se lugares e conhecimentos objetivos, permeados pela relação ensino/aprendizagem. (ANDRADE, 2002)
A modalidade de aprendizagem destina-se não somente no modo pela qual o sujeito se apossa de um conhecimento exterior a si, mas também o modo pelo qual ele converte esse conhecimento e é convertido, transformado por ele. O molde de aprendizagem é formado desde o nascimento, no relacionamento do bebê com a ensinante materna, que tem como funcionalidade o ensinar a idealizar, devanear, sonhar, estabelecer vínculos, provocar, despertar o desejo de saber. (GRANATO, 2003)
O sujeito se estabelece ensinante quando suscita o outro de desejo, proporcionando espaço de confiança, liberdade, e criatividade, onde o outro possa atrever-se por experimentar na busca do conhecimento. O sujeito estabelece-se um aprendente quando é capaz de compartilhar, tem liberdade para experimentar, criar e expressar-se, assumindo assim, a autoria de pensamento (LIMA, 1899)
Alguns sujeitos têm dificuldades para descobrirem-se como autores da sua produção, (FERNANDEZ, 2001 p 60) explica que o sujeito constitui-se como autor a partir de uma troca entre seus posicionamentos ensinantes e aprendentes, e que a autoria vista é como o processo e o ato de produção e reconhecimento de si mesmo como principal ator de tal produção.
O sujeito aprendente se estabelece autor na medida em que experimenta, vivencia a castração do pensamento, ocasião em que o sujeito percebe que o pensamento é uma instância psíquica pessoal, estabelecendo dessa maneira um mundo subjetivo próprio afastado da subjetividade materna. (GRANATO apud ANDRADE, 2003)
[...] O sujeito aprendente articula fantasia e realidade abandonando a ilusão da onipotência para criar o símbolo e com ele a capacidade de gerar pensamento ampliando o conhecimento sobre si e sobre o mundo. (ANDRADE, 1899, p 82)
[...] A função do ensinante é a de indicar ao aprendente a posição do sujeito a respeito da verdade, a verdade daquilo que ele deseja. (ANDRADE, 1899, p 82)
Para acontecer a aprendizagem existem dois tipos de condições: externas- estímulos - que explica o campo dos estímulos, a falta de ritmo, velocidade ou até mesmo privação ou pobreza dos mesmos e as internas- sujeito - que explica o sujeito, assim como, o corpo, circunstâncias que auxiliam ou atrasam os métodos cognitivos, e as circunstâncias cognitivas de aprendizagem (estruturas que constituem os estímulos do conhecimento) (MASINE, 2005).
Para que se compreenda melhor a importância da Psicopedagogia em relação ao adolescente e sua autoria de pensamento, vale ressaltar as dimensões da aprendizagem.
Dimensão biológica está relacionada com a aprendizagem no aspecto global. Origina na edificação decisiva das estruturas operatórias; aprendizagem em sentido mais limitado. Dirigida pela formação e coordenação de esquemas, nesse sentido, o conhecimento é algo edificado e não nasce com a criança (inato), sendo o caráter hereditário a própria inteligência; Dimensão cognitiva está relacionada a aprendizagem na qual o sujeito obtém um novo comportamento, adaptado a uma maneira anteriormente não conhecida, aprendizagem da regulação que rege as modificações dos objetos, que a experiência corrige ou confirma hipóteses/ antecipações; aprendizagem estrutural que está ligada as estruturas lógicas do pensamento. Uma vez relacionada pelos esquemas que se modificam de modo a se acomode, adapte a cada nova realidade que aparece. A dimensão social preocupa-se em educar, entende-se em ensinar no sentido de mostrar, marcar como se faz, o que pode ser feito. A criança aprende comunicar-se, trajar-se, escrever... A aprendizagem nesse momento é entendida como uma das extremidades do processo educativo que compreende os comportamentos destinados à transmissão da cultura e às instituições que a promovem, como a escola e a família. (FONTES 2006 e MASINI 2005 apud PAÍN)
Tanto no aspecto cognitivo quanto afetivo, exige-se atenção, com a finalidade de ajudar os sujeitos a ressignificar seu relacionamento com o aprender e a maneira como vai viver sua aprendizagem. Um desafio para o psicopedagogo é o de saber escutar e abrir-se para essa escuta do desejo, procurar o sentido do sintoma e, assim ao mesmo tempo, colocar-se na relação com o conhecimento. (MASINI, 2005)
IV - AS CONTRIBUIÇÕES DE JEAN PIAGET NA APRENDIZAGEM
Jean Piaget (1896-1980) psicólogo e biólogo suíço adquiriu fama mundial com seus estudos sobre os processos de construção do pensamento nas crianças. Ele sugeriu o método da observação para a educação, censurou a escola tradicional que ensina a criança copiar e não a pensar. Para alcançar bons resultados, o professor devia respeitar as leis e as etapas do desenvolvimento da criança. O propósito da educação não deveria ser reproduzir ou conservar verdades acabadas, mas aprender por si próprio a conquista do verdadeiro (GADOTTI, 2003).
Estudos e pesquisas de Piaget indicaram que existem maneiras de perceber, compreender e se comportar diante do mundo, próprias de cada faixa etária, isto é, existe uma assimilação gradativa do meio ambiente, que implica uma acomodação das estruturas mentais a esta nova informação do mundo exterior (BOCK; FURTADO e TEIXEIRA, 1995).
Em sua teoria denominada Epistemologia genética, interessou-se pela edificação do conhecimento pelo indivíduo, analisou o desenvolvimento psicológico como uma continuação de estágios assinalados por estruturas mentais variáveis e edificadas a partir das relações do indivíduo com seu meio físico e social (LIMA, 1899).
A idéia central de Piaget foi o “sujeito epistêmico”, isto é, o estudo dos processos de pensamento presentes desde a infância inicial até a idade adulta. Sua visão interacionista, percebeu a criança e o homem em um processo ativo de contínua ação recíproca procurando compreender quais os mecanismos mentais que o sujeito utiliza nas diferentes fases da vida para assim entender o mundo, e que só o conhecimento leva o homem a um estado de equilíbrio interno que o habilita a ajustar-se ao meio ambiente. Há uma realidade externa ao sujeito do conhecimento, e é a existência desta realidade que equilibra e melhora o desenvolvimento do conhecimento adaptativo (RAPPAPORT, 1981).
O meio físico e social coloca a criança perante questões que interferem o estado de equilíbrio do organismo e vão à busca de comportamentos mais ajustados. No que diz respeito ao funcionamento mental, as colocações podem ser propostas pelo próprio sujeito do conhecimento. Piaget, neste ponto, reconhece o desejo de desvendar da criança, levando em conta a curiosidade intelectual e a criatividade, propondo que a ação de conhecer seja agradável e compensadora tanto para a criança como para o adolescente e o adulto, e se organiza de maneira que torna motivador para seu próprio desenvolvimento. O conhecimento torna possível novas formas de se relacionar com o ambiente, possibilitando uma adaptação cada vez mais completa e eficaz e, neste sentido, é compensador para o organismo, que se sente mais preparado para lidar com situações novas (RAPPAPORT, 1981).
“A perspectiva interacionista e construtivista piagetiana resgata o papel do sujeito como regulador das relações que estabelece com o meio, responsável pela construção de sua história pessoal e de seu desenvolvimento, no curso do qual elabora uma explicação do mundo e das próprias funções intelectuais que a possibilitam”. (LIMA, 1899 p. 18)
As novas situações levam o sujeito a uma movimentação, onde o organismo no sentido de resolvê-las, vai utilizar mecanismos mentais já existentes ou então, quando se mostram ineficaz, elas serão transformadas a fim de alcançar uma maneira mais apropriada para se lidar com a nova situação. Assim no processo global de adaptação estariam envolvidos dois processos que se completam: a assimilação e a acomodação.
O processo de assimilação mental é bastante parecido com a assimilação biológica. Quando o sujeito ingere algum alimento que o organismo está acostumado, ocorre a ativação de todo um processo de mastigação, deglutição, até que o organismo assimile o alimento. Quando o sujeito ingere algum alimento diferenciado, isto é, um alimento que em seu cotidiano é pouco ingerido, os processos digestivos precisam ajustar-se ás composições físicas e químicas particularmente deste novo alimento. Sendo assim, o organismo precisa ajustar-se a esse novo elemento para tornar possível o ganho de um estado de equilíbrio (RAPPAPORT, 1981).
O mesmo ocorre em relação aos processos mentais, por exemplo, uma criança que está acostumada a ver horas em um relógio digital, e de repente ganha outro relógio analógico que embora guarde algumas características do primeiro, vêm com novos elementos que a criança não obtinha conhecimento, como exemplo, os ponteiros de horas, minutos e segundos e números espaçados com traços. Neste caso, a criança tentará agir com o relógio analógico da mesma maneira como fazia com o relógio digital e não obterá avanços. Estará usando um processo de assimilação, isto é, de tentar encontrar uma solução à essa situação nova com base nas estruturas antigas. Este processo não será eficiente, pois estas estruturas são impróprias e insuficientes para este novo elemento. O sujeito tentará novas maneiras de agir, levando em conta as propriedades específicas daquele objeto. Isto é, irá modificar suas estruturas antigas com vistas á solução de um novo problema de ajustamento, a uma nova situação, Piaget denomina acomodação. E no momento que a criança consegue dominar adequadamente o segundo objeto, diz-se que acomodou a ele, portanto, adaptou-se a esta nova exigência da realidade. Os processos de assimilação e acomodação se completam e encontram-se presentes durante todo o percurso na vida do sujeito e que permitem um estado de adaptação intelectual. Como dificilmente um objeto ou situação é parecido com outro já conhecido, torna-se difícil pensar que possa ocorrer assimilação sem acomodação (RAPPAPORT, 1981).
Em outro exemplo, pode-se citar a criança que aprendeu a andar de patim de duas rodas, e de repente se depara com um patim de quatro rodas com um elemento a mais, como o freio, onde irá modificar suas estruturas antigas com vistas á solução de um novo problema de ajustamento, a uma nova, a uma nova situação.
Existem formas diferenciadas de interatuar com o meio nas diferentes faixas etárias. A estas formas de agir e pensar, ou seja, se posicionar e compreender o meio, Piaget chamou de estágio ou período, onde determinadas faixas etárias correspondem a diferentes tipos de aquisições que dependem da atuação da criança em seu ambiente. Assim, à medida que a criança amadurece física e psicologicamente, é estimulada pelo ambiente físico e social, construindo sua inteligência (BOCK, 1995).
“Do ponto de vista piagetiano, inteligência é uma função mais geral (adaptação), própria dos organismos vivos, que no ser humano adquire uma forma particular de ser. O desenvolvimento intelectual vem a ser o resultado de um equilíbrio dinâmico entre os elementos que o indivíduo incorpora do meio (assimilação) e as modificações que aqueles introduzem nos sistemas de organização do sujeito (acomodação). Para que ocorra, será necessário haver um diálogo contínuo entre sujeito e meio, de tal forma que aprendizagem e desenvolvimento estejam em constante interação. O motor que desencadeia esse diálogo permanente entre o sujeito e o meio físico e social é o desejo de conhecer. Por essa razão, uma das tarefas do(a) psicopedagogo(a), enquanto 'ensinante', será a de propiciar as condições necessárias e suficientes para que este desejo se atualize no educando, enquanto sujeito 'aprendente'” (LIMA, 1899 p.17)
Piaget descreveu quatro períodos de desenvolvimento cognitivo, onde cada um vai representar um período na vida da criança. Cada período se distingue por aquilo que de melhor o indivíduo consegue fazer nessas faixas etárias. Todos os indivíduos passam por esses períodos, porém o início e término de cada uma dependem das características biológicas e dos fatores educacionais, sociais no qual está inserido. Em relação às estruturas psicológicas, tornam possível a capacidade para pensar e racionar, sendo mais complexas e abstratas. As modificações são qualitativas, o que significa que as qualidades do pensamento sofrem alterações, de um dado estágio para o seguinte (COLLINS, 2003).
No período sensório motor (0 a 2 anos), a criança atrai todo o universo que a cerca através da percepção e dos movimentos, em seu desenvolvimento ósseo, muscular e neurológico torna possível novos comportamentos como sentar-se, andar, o que favorece um domínio maior do ambiente, e já é capaz de diferenciar progressivamente o seu eu do mundo exterior. Sua relação com o ambiente se dá pela imitação de regras, e mesmo entendendo algumas palavras, só é capaz de fala imitativa (BOCK, 1995). Para o autor “olhar o mundo é apropriar-se dele” (p. 84).
Neste período pré-operatório (2 a 7 anos), verifica-se o surgimento da linguagem, que trará transformações nos aspectos intelectual, afetivo e social da criança. Com o surgimento da linguagem, o desenvolvimento do pensamento se adianta e por ainda estar centrada em si mesma, acontece uma demonstração do próprio ponto de vista, o que torna impossível o trabalho em grupo. Em relação às regras, compreende-as como imutáveis e determinadas externamente. O amadurecimento neurofisiológico completa-se, possibilitando o desenvolvimento de novas habilidades. Também é um período caracterizado pelo egocentrismo é no início desse período que o mundo interior ainda prevalece sobre as relações cooperativas com o outro (BOCK, 1995, p. 85).
Tratando-se do período das operações concretas (7 a 11 ou 12 anos), inicia-se a construção lógica, onde a criança passa a ter habilidade para estabelecer relações que admitam coordenar e incorporar pontos de vistas de modo lógico e que tenha coerência. No plano afetivo será capaz de agir conjuntamente com os outros, de trabalhar em grupo e ao mesmo tempo, de ter autonomia pessoal, que tornará possível, em seu intelectual, o aparecimento de uma nova habilidade mental da criança: as operações, podendo assim realizar uma ação física ou mental direcionada para um fim (objetivo) e voltar para seu ponto de partida. Surge também a capacidade de reflexão, sendo capaz de pensar antes de agir, de considerar vários pontos de vista. A criança adquire uma autonomia crescente em relação ao adulto, passando a organizar seus próprios valores morais. Nesta fase a aprendizagem sistemática da criança se inicia (BOCK, 1995).
E neste último período, o das operações formais (a adolescência 11 ou 12 anos em diante) que acontece a passagem do pensamento concreto para o pensamento formal, abstrato. O adolescente domina a capacidade de abstração e generalização, formula teorias sobre o mundo, principalmente sobre aspectos que gostaria de reformular, tira conclusões de puras hipóteses. Do ponto de vista de suas relações sociais, como no inicio passa por um período de interiorização, torna-se num primeiro momento, anti-social. Distancia-se da família, não aceita conselhos dos adultos, O adolescente passa a alcançar o equilíbrio entre pensamento e realidade, quando percebe a importância da reflexão para sua ação sobre o mundo real. No aspecto afetivo, o adolescente vive conflitos. Deseja ficar livre do adulto mais ainda é dependente dele (BOCK, 1995).
A adolescência desabrocha para um novo mundo, onde através de profundas e importantes modificações, não somente em relação a sua própria imagem, mas também na maneira de como se relaciona com seus iguais e com as demais pessoas, estendendo-se a novas maneiras de pensamento. Os adolescentes alcançam um nível novo e superior de pensamento que vai lhes ajudar compreender os fenômenos de modo diferente de como o faziam até então (COLL, 1995).
“A contestação é a marca desse período” (garotos punks no primeiro festival punk, no Sesc Pompéia /São Paulo) (BOCK, 1995 p. 89)
“Piaget classificou o pensamento das crianças em idade escolar como operações concretas e o pensamento dos adolescentes como operações formais” (COLLINS apud PIAGET, 2003 p.99)
A partir dos conceitos piagetianos de assimilação e acomodação, e a compreensão das fases de desenvolvimento da criança (sensório motor, pré-operatório, operações concretas e operações formais), é possível compreender sua contribuição para a Psicopedagogia, de como o sujeito se constrói e se apropria de seu objeto de conhecimento.
V- MODALIDADES DE APRENDIZAGEM DO SUJEITO
A modalidade de aprendizagem, segundo Fernández (1991), é uma passagem do todo para o particular, analisando o aqui/agora, é um objeto de conhecimento construído para um objeto de conhecimento em construção. O primordial aqui é o modo como ocorre o processo de construção de conhecimento no interior do sujeito que aprende.
Cada sujeito apresenta uma maneira, um sentido único e particular de entrar em contato com o conhecimento. Cada qual com sua modalidade de aprendizagem que possibilita uma maior aproximação do objeto de conhecimento, constituindo um saber que lhe é especial. Desde o nascimento a modalidade vai se edificando, e assim vai havendo um confronto com a angústia imanente ao conhecer-desconhecer. É no espaço familiar que se edifica as modalidades de aprendizagem. As modalidades de aprendizagem vão se caracterizando a partir da conseqüência de uma história das experiências e vivências de aprendizagem do indivíduo em contato com o grupo familiar, pensando não somente como ocorreram as experiências, mas também como foram analisadas e interpretadas por ele próprio e pelos seus pais. Cada um dos membros vai analisar e transmitir conhecimentos de acordo com sua modalidade de aprendizagem, mantendo como referência o sentido que o aprender tem para o grupo familiar (FERNÁNDEZ, 1991).
Nota-se que a modalidade de aprendizagem do sujeito na infância está alicerçada nas bases de uma modalidade de aprendizagem familiar. Para descrever a modalidade observa-se e examina-se a imagem de si mesmo como aprendente; como se comportam as figuras ensinantes pai e mãe, o vínculo com o objeto de conhecimento, as histórias das aprendizagens, o modo de jogar (FERNANDEZ, 1991).
A família por funcionar como um sistema, como uma totalidade, ela tem um papel fundamental no desenvolvimento da autoria de pensamento de seus membros, ao proporcionar possibilidade de se individualizarem, diferenciando-se do grupo familiar (ANDRADE, 1899).
A autora Fernandez cita em uma das suas obras as diferenças entre as modalidades de aprendizagem e da inteligência.
“A aprendizagem é um processo que intervém a inteligência, o corpo, o desejo, o organismo articulados em um determinado equilíbrio mas a estrutura intelectual tende também a um equilíbrio para estruturar a realidade e sistematizá-la através de dois movimentos que Piaget definiu com invariantes: assimilação e acomodação” (FERNANDES,1991 p.108)
Segundo a autora partindo das definições sobre modalidade de aprendizagem, toda ação inteligente e competente cria-se uma leitura e interpretação de mundo, quer dizer, uma assimilação e acomodação.
Assimilação é uma mudança do processo de adaptação, na qual os elementos do meio, à sua volta modificam-se para ser juntar a estrutura do organismo enquanto a acomodação é uma mudança do processo de adaptação na qual o organismo modifica-se de acordo com as características do objeto a serem introduzidos (FERNANDEZ, 1991).
“Cada um de nós se relaciona com o outro como ensinante, consigo mesmo como aprendente e como conhecimento como um terceiro de um modo singular” (FERNANDEZ, 1991 p.107)
Através de um olhar cuidadoso sobre o conhecimento descobre-se algo que se repete e algo que se modifica no decurso da sua vida nas diferentes áreas. Trata-se de modalidade de aprendizagem a esse modelo ou esquema de agir que vai sendo utilizado nas diferentes situações de aprendizagem. É um molde relacional que está em constante reconstrução e sobre a qual são incluídas as novas aprendizagens que vão transformando (FERNANDEZ, 1991).
A modalidade de aprendizagem estabelece o modelo relacional que cada sujeito utiliza para aprender. Toda ação inteligente presume uma interpretação da realidade externa, isto é, uma assimilação e uma acomodação para que esta realidade penetre no organismo, modificando-o. A forma como a inteligência atua admite chegar a certas modalidades de aprendizagem - do aprendente (FERNÁNDEZ, 1991).
Segundo Paín (1985), a organização dessas diferentes modalidades nos processos significativos, em seus opostos, podem descrever-se como hipoassimilação-hiperacomodação e hipoacomodação- hiperassimilação e explica essas modalidades.
Hipoassimilação: os esquemas de objetos conservam-se empobrecidos, como também a competência de organizá-los. Isso resulta em uma deficiência no brincar e na dificuldade de adiantar-se do papel da imaginação criadora. Hiperassimilação: pode acontecer uma internalização precoce dos esquemas, com um ascendente lúdico que, em vez de autorizar a antecipação de mudanças possíveis, a criança desrealiza o pensamento. Hipoacomodação: acontece quando não se respeitou o tempo da criança nem a sua necessidade de fazer muitas vezes a mesma experiência. Hiperacomodação: existe um aumento da estimulação da imitação, reprodução. A criança pode executar com as informações atuais, mas não utiliza com facilidade de suas experiências nem de sua experiência prévia. (FÉRNANDEZ apud PAÌN, 2001 p.83)
A modalidade de aprendizagem é também um modo característico de cada sujeito para descobrir o oculto. As modalidades de aprendizagem estão essencialmente conectadas, ligadas à estrutura de personalidade.
VI – AUTORIA DE PENSAMENTO
A epistemologia genética aborda sobre o sujeito de conhecimento, sujeito epistêmico, que edifica a organização de suas estruturas cognitivas e que através da assimilação e da acomodação, ajusta-se ao meio. O sujeito epistêmico é aquele que edifica em sua mente um tipo de modelo interno do mundo que o cerca, e o prepara, à medida que entra em contato com os estímulos do meio ambiente, aperfeiçoando-se em estágios, ao longo da vida. Na Psicanálise, percebe-se um sujeito desejante, pois trabalha com questões indispensáveis para as explicações dos aspectos inconscientes e transferenciais na aprendizagem. A Psicopedagogia determina seu o próprio sujeito, sujeito próprio da Psicopedagogia o ensinante-aprendente, ou seja, o sujeito da autoria de pensamento (FERNÁNDEZ, 2001).
Para falar da autoria de pensamento, é necessário entender de que forma a inter-relação entre sujeito desejante e sujeito cognoscente dá origem ao sujeito da Psicopedagogia: o sujeito aprendente. No sujeito cognoscente, observa-se a inteligência, a edificação do conhecimento a partir do sistema cognitivo. A Epistemologia Genética pontua a gênese do conhecimento, das questões ligadas ao cognitivo, busca limitar o que é comum a todos os seres humanos no processo psicológico de edificação do conhecimento. O sujeito epistêmico tem seu sistema cognitivo composto por estruturas, onde a unidade é o esquema. Toda e qualquer atitude/ação pede um esquema e caso este não esteja disponível, causa um desequilíbrio provocando o movimento de assimilação (transformação do objeto de conhecimento), acomodação (transformação do organismo). Com a assimilação/acomodação novos esquemas são constituídos e toda a estrutura se transforma voltando ao equilíbrio. A Psicopedagogia trabalha com o movimento de ambos. É no espaço de mudanças entre o sujeito cognoscente e o sujeito desejante que se possibilitará o nascimento do sujeito aprendente (FERNÁNDEZ, 2001).
Vale ressaltar o quanto é importante que o adolescente caminhe em busca de sua autoria de pensamento. Para a educação e para a sociedade onde o indivíduo está inserido, esse assunto é de suma importância. A palavra “autoria" aqui empregada é na condição que um indivíduo tem de definir suas atitudes, consciente de sua intenção e desejo e tendo condições de edificar seu pensamento. Proporcionar autoria é autorizar que alguém seja agente de suas atitudes de maneira segura, consciente. Os indivíduos acostumados a percorrerem modelos, que são submetidos a outras, serão apenas imitações e cópias de pensamentos acabados, prontos, padrões. Esta submissão será uma forma comodista que estes indivíduos encontram para se tornarem (re)produtores (FERNÁNDEZ, 2001).
“O processo de construção da autoria é contínuo e complexo, pois envolve o reconhecimento da autoria de pensamento e o posicionamento diante das modalidades de aprendizagem do sujeito, portanto, da singularidade “ (RUBINSTEIN, 1999 p28)
Aprender afirma um reconhecimento da passagem do tempo, do processo construtivo, o qual encaminha à autoria. Aprender é edificar espaços de autoria e, concomitante é um modo de resituar-se diante do passado (FERNÁNDEZ, 2001).
O sujeito autor do seu pensamento interage com o mundo que o cerca, e por interagir que é um ser social, depende do Outro para aprender interagir. Aprende porque se espelha no outro, porque se vê no outro.
Autoria de pensamento é ter condições de aceitar um pensamento próprio que me distingue do outro, que permita uma separação entre fantasia e realidade e que seja possível modificar-se em um ato/ação (FERNÁNDEZ, 2001).
É preciso alguns requisitos à autoria de pensamento: liberdade, autonomia e criatividade. A liberdade abrange levantamentos de questões crítica interna que se formam a partir de um questionamento externo das necessidades nas quais o eu é formado, um longo desafio individual e coletivo para edificar uma ação. Na autonomia o sujeito pode por si só, através do uso da razão, determinar suas certezas, libertando-se do que a tradição procura impor às consciências. A autonomia intelectual é resultado dos domínios da razão. Já a criatividade tem como uma das características principais, a capacidade de aprender e ver antes alguns resultados de atos imaginados é a possibilidade de fazer modelos do mundo. Ousar, expor, analisar, o desconhecido, obter um resultado favorável, vencer o medo de errar é também praticar a criatividade, é formar-se como um sujeito autor de sua autoria, autor de seu pensamento, é formar-se um sujeito aprendente (LIMA, 1899).
VII - A PSICOPEDAGOGIA
A Psicopedagogia surgiu como uma necessidade de compreender os problemas da aprendizagem (RUBINSTEIN, 1999).
Os primeiros atendimentos foram com crianças com dificuldades de aprendizagem na França, onde os atendimentos eram feitos por especialistas da área de Medicina, Psicanálise, Psicologia e Pedagogia. Através da união dessas especialidades, Psicologia-Psicanálise e Pedagogia, observava-se a criança e o seu meio, para que assim fosse capaz compreender o sujeito por completo, estabelecer uma atitude reeducadora e diferenciar os que não aprendiam, apesar de não apresentarem comprometimento na inteligência, daqueles que apresentavam alguma deficiência mental, física ou sensorial (BOSSA, 2000).
A Psicopedagogia surgiu na Argentina há mais de 30 anos e foi em Buenos Aires, sua capital, a primeira cidade a oferecer o curso de Psicopedagogia. A prática da Psicopedagogia no Brasil surgiu da necessidade de contribuir com a questão do fracasso escolar proporcionando um caráter reeducativo, ajustando ao longo do tempo um enfoque terapêutico (BOSSA, 2007).
A Psicopedagogia, até os anos 80, tratava os sintomas apresentados pelos alunos com problemas de aprendizagem e atenuava as dificuldades na intenção de levar o sujeito ao conhecimento dos conteúdos e competências escolares. O seu objeto de estudo nos anos 80 e 90 passa ser o processo de aprendizagem, focando-se nos trabalhos do filosofo Piaget foi evidente uma melhor percepção da organização e funcionamento do sujeito e a sua relação com o meio, dando destaque aos aspectos cognitivo, afetivo e social. Já nestes anos passou a desenvolver seus próprios conceitos (BOSSA, 2007).
Na década atual a Psicopedagogia passa ser vista como uma ciência em separada, quer dizer, independente da psicologia e da pedagogia. Ela não é apenas a soma, união ou interseção destas duas, mas agora a Psicopedagogia tem o seu objeto de estudo determinado e com um objetivo maior. A Psicopedagogia, nos dias atuais, não se acaba somente nos sintomas ou processo de aprendizagem para a sua investigação, o personagem principal passa a ser o aquele ser que assimila, passa a ser aquele que exerce uma ação recíproca com o mundo e que também demonstra o seu lado afetuoso e cognitivo. Passa a ser aquele que se manifesta, sendo então denominado: ser cognoscente. É aquele que será examinado, estudado e trabalhado pela Psicopedagogia para que possa edificar o seu conhecimento obtendo uma autonomia e posteriormente uma audácia, sugerindo o seu desenvolvimento. Não se deve deixar de enfatizar jamais que ao mesmo tempo em que o ser cognoscente possui uma integridade não deixa de ser múltiplo (SILVA, 1998).
... o ser cognoscente transforma as informações obtidas segundo o código das informações sociais que penetram no seu psiquismo pela mediações de suas motivações conscientes e inconscientes e, sobretudo pela mediação de sua ação sobre o objeto, sem a qual o conhecimento é uma ficção especulativa (SILVA,1998, p:32).
A vinculação psicopedagógica se dá, portanto, entre o psicopedagogo e o ser cognoscente; ou seja, o sujeito que aprende inserido em um meio ensinante. Faz-se indispensável ter conhecimento sobre o objeto de estudo da Psicopedagogia que é o ser cognoscente. O ser que aprende é o todo e não apenas o cognitivo e é aí que a psicopedagogia conseguiu desfazer o nó que havia no momento em que o processo de aprendizagem não acontecia da maneira desejada ou esperada.
O sujeito aprendente da Psicopeagogia é formado a partir do organismo biológico, em um movimento com a inteligência e o desejo, e a partir da integração entre essas três estruturas, este sujeito constrói um corpo apto ou não a aprender.(MENDES, 2007).
“A inteligência não se constrói no vazio: ela se nutre da experiência de prazer pela autoria. Por sua vez nas próprias experiências de aprendizagem, o sujeito vai construindo a autoria de pensamento e o reconhecimento de que é capaz de transformar a realidade e a si mesmo.” (FERNANDEZ, 2001)
A autora Fernandez, aponta que o objeto de estudo deve ser interpretado a
partir de dois enfoques: o enfoque de caráter preventivo, que corresponde ao ser
humano em desenvolvimento e as alterações desse processo podendo esclarecer
sobre as características das diferentes fases do desenvolvimento; e o enfoque de
caráter terapêutico, que é a identificação, análise e a elaboração de uma metodologia de diagnóstico e tratamento das dificuldades de aprendizagem.
É importante um trabalho de auto-análise, dentro de um espaço do saber psicopedagógico.. A formação do Psicopedagogo requer a transmissão de conhecimentos e teorias, e um espaço para construção de um olhar e uma escuta psicopedagógica a partir de uma análise do seu próprio aprender (FERNÁNDEZ, 1991).
A autora ainda pontua que o sujeito aprendente se edifica a partir de sua interação com o sujeito ensinante, já que são duas posições subjetivas, presentes em uma mesma pessoa, em um mesmo momento. Além disso, o aprender acontece a partir dessa simultaneidade. Para que aconteça uma boa aprendiazagem, é necessário identificar-se mais com o posicionamento ensinante do que com o aprendente. E, sem dúvida ensina-se a partir do posicionamento aprendente. Nesta perspectiva, é de fundamental importância o olhar e escuta psicopedagógica, pois para que o psicopedagogo realize o seu papel de cooperador na construção da subjetividade, singularidade e capacidade do outro, é necessário estar atento além dos espaços objetivo e concreto (FERNÁNDEZ, 1991).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para compreender o adolescente é necessário primeiramente compreendê-lo enquanto criança e como sua base foi edificada.
Em geral o bebê nasce, cresce, vive e atua em um mundo social. É na ação recíproca com outros indivíduos que as necessidades do ser humano tendem a ser atendidas. Essas necessidades são indispensáveis em sua própria sobrevivência física, psicológica. Também é fundamental que através do contato humano que a criança aprende a linguagem e por meio dela, começa a se comunicar com outros indivíduos e ordenar, classificar e organizar seu pensamento.
E que a partir da base e formação que essa criança recebe, e vivendo em sociedade, que capta e aprende projetar, planejar, direcionar e analisar o seu esforço e movimento, e que ao longo desse processo, ela pratica alguns erros, pense e pondere sobre ele, desafia a possibilidade de corrigí-los, experienciando, vivenciando novas sensações, sentimentos, fases de ansiedades e de tranqüilidade. Todo esse processo vem edificando-o enquanto ser e lhe dando uma base mais sólida para que possa crescer, desenvolver, amadurecer e começar a ter suas atitudes e pensamentos próprios, se descobrindo enquanto um adolescente (sujeito) transformador e capaz de trilhar seu caminho rumo a sua autoria de pensamento tornando-se assim um sujeito autor de sua própria história, pois também na interação e convívio com a sociedade, através das atividades práticas realizadas, que se criam as condições para o aparecimento da consciência, que é a capacidade de diferenciar entre as propriedades objetivas e estáveis da realidade e aquilo que é vivido subjetivamente.
O adolescente (sujeito) passa por um processo de desenvolvimento, do qual edifica de modo ativo as relações que estabelece com o mundo físico e social, suas características.
O adolescente passa por varias transformações, cada qual em idades diversificadas, e não podem fazer nada a não ser esperarem por essas transformações. Muitas vezes essa espera causa certa tensão considerável, principalmente quando as mudanças vieram tardiamente. Não se refere apenas à mudança sexual, mas também no sentido de crescimento físico, cognitivo e emocional.
Somente a passagem do tempo e a experiência do viver farão com que o adolescente (sujeito) aceite de modo gradativo a responsabilidade por tudo que está ocorrendo no mundo da fantasia pessoal, o adolescente se encontra num processo de crescimento.
Na fase do crescimento o adolescente, vai se tornando independente, e começa ir em busca do mundo adulto. O crescimento do adolescente se dá não apenas por algo que seja herdado, mas também por fazer parte de um meio ambiente facilitador
Na visão interacionista enfatiza-se que o organismo e o meio desempenham ação recíproca. Uma afeta o outro e essa interação provoca transformações sobre o indivíduo. É, pois, na ação da criança com o mundo físico e social que as características e singularidades desse mundo vão sendo conhecidas. Para cada criança, a edificação desse conhecimento demanda elaboração, ou seja, uma ação sobre o mundo. É partir dessa ação da criança com o mundo, que vai capacitando, desenvolvendo-o, e no decorrer de seu desenvolvimento, e, quando atinge sua fase da adolescência, se percebe como um ser independente, transformador, com suas habilidades e capacidades, edificando-se no processo de sua caminhada rumo a suas buscas, conquistas, realizações, e assim uma estruturação emocional e física, dando-o condições de ser um sujeito autor
Ressalto ainda que a Família-Escola-Sociedade contribuem para a formação do adolescente à caminho de sua autoria de pensamento, possibilitando assim uma base em seu aprendizado enquanto sujeito autor de sua própria história.
Os pais e educadores, apesar das modificações pelas quais passam a família, esta permanece como a base de toda influência no comportamento, no emocional e na ética do adolescente.
A família e a escola passam ser um meio de apoio e estímulo, fortificando assim o ser humano, marcando sua vida. A parceria, a relação entre família e escola necessita ser fortificada e ambas com vistas à realização de um objetivo comum, pois quanto melhor for a parceria, mais positivos serão os resultados na formação do sujeito.
A parceria entre Família-Escola-Sociedade que se estabelece de maneira direta ou indireta com o sujeito que irá contribuir e fazer um diferencial na constituição do sujeito
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Essa monografia foi concluída em 2009.
Postado pela autora da monografia ALESSANDRA LUCCHETTI
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